terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tutorial "muito útil"

Ao ligar seu Mac pela primeira vez, note que muitos aplicativos já vêm instalados, como o iTunes, Pré-Visualização, Mail, entre outros, todos dentro da pasta Aplicativos. Mas você já reparou que dentro desta pasta existe uma subpasta chamada Utilitários? Lá estão armazenados softwares que podem nos ajudar em várias ocasiões. Alguns deles são realmente fáceis de usar, como o Utilitário AirPort, mas outros, como o Console, podem exigir que você tenha intimidade com nomenclaturas estranhas e códigos arcanos. Por isso, use sempre com moderação.

Neste artigo, a ideia é apresentar apenas esses aplicativos. Em edições futuras, mostraremos com mais detalhes quando e como podemos usar os utilitários. Você vai perceber que existe um “canivete suíço” praticamente escondido em seu Mac.

Monitor de Atividade

Este aplicativo mostra informações sobre os processos que estão rodando em seu Mac. Você pode ver a quantidade de memória RAM utilizada, informações sobre o(s) HD(s) e a atividade em sua Rede. Tudo isso pode ser visto de várias maneiras, como gráficos, tabelas ou até escolher algum processo para ser mostrado no próprio ícone do aplicativo no Dock. Também é possível organizar os processos por uma hierarquia predefinida, procurar processos ou finalizar aqueles que podem estar consumindo muitos recursos e deixando seu Mac lento como uma lesma.

Utilitário AirPort

Com este utilitário, é possível gerenciar e monitorar sua rede Wi-Fi, desde que ela seja criada usando os produtos da Apple: AirPort Extreme, AirPort Express e Time Capsule. Você pode fazer configurações nas estações-base ou, caso tenha mais de um AirPort ou Time Capsule, combiná-los para criar uma rede maior. Além disso, o Utilitário AirPort mostra o status das conexões, permite criptografar uma rede e configurar uma impressora ou um HD conectados à uma estação base Apple.

Configuração Áudio e MIDI

É aqui que você controla as configurações das entradas e saídas de áudio de seu Mac, como microfones ou mesas de som. O utilitário funciona com dispositivos MIDI conectados via USB, Firewire, Bluetooth, placas PCI e PCMCIA. Além disso, pode-se configurar alto-falantes externos e home-theaters de até 7.1 canais.

Intercâmbio de Arquivos Bluetooth

O próprio nome já diz o que faz este programa. Com ele, é possível trocar arquivos entre Macs ou outros dispositivos que tenham a tecnologia Bluetooth. Assim que ele é ativado, o Mac busca por qualquer sinal Bluetooth por perto, que serão mostrados na janela do programa. Daí, basta selecionar o dispositivo e enviar ou receber arquivos. Ideal para tirar as fotos armazenadas no celular.

Utilitário ColorSync

Este utilitário auxilia na calibração das cores que serão mostradas em seu monitor. Você pode criar seu próprio perfil ou selecionar um dos predefinidos dentro do aplicativo. Além disso, é possível montar perfis para dispositivos diferentes, como câmeras digitais, scanners, impressoras, entre outros. Com o Utilitário ColorSync, você pode checar e reparar perfis de cores, comparar dois perfis utilizando um gráfico, calcular valores de cores etc.

Console

O Mac OS X registra com detalhes toda e qualquer informação sobre os aplicativos que estão no sistema. O utilitário Console permite que você monitore todos esses relatórios, o que pode ajudar muito se você está em busca de alguma falha no sistema, ou quer apenas saber o que se passa atrás da interface do OS X. Existe um mecanismo de busca muito eficiente integrado a esse aplicativo, cujo objetivo é encontrar algum processo perdido.

Medidor de Cor Digital

Quer sabem quais os valores em RGB (Red, Green e Blue) de alguma cor? Abra este utilitário e posicione seu conta gotas na cor desejada. Ele é capaz de medir a cor exata de cada pixel apresentado no monitor. Também é possível medir as cores em YUV e CIE.

Diretório

O Diretório permite acesso a informações compartilhadas sobre pessoas, lugares, grupos e recursos dentro de uma organização, usando o Mac OS X Server. Depois de configurado com as informações do servidor de sua empresa, ele pode ser usado para atualizar as informações facilmente.

Utilitário de Diretório

Este utilitário gerencia os diretórios que serão vistos no programa Diretório. Com ele, você pode criar e fazer alterações no modo que seu Mac irá acessar diretórios específicos.


Utilitário de Disco

De todos os utilitários, este é, sem dúvida, o mais usado e conhecido pelos usuários. Com ele você pode ver, gerenciar e diagnosticar erros em todos os discos (internos, externos e qualquer tipo de mídia) conectados ao seu Mac. Ainda é possível verificar a integridade de algum disco, repará-lo, apagá-lo ou particioná-lo. Se você quiser manter alguma pasta de seu HD oculta, é possível, com o auxílio deste utilitário, criar imagens de disco criptografadas.


Captura

Sabemos da existência dos atalhos do teclado para capturar telas do Mac OS X (caso ainda não saiba, veja abaixo), mas este utilitário permite tirar fotos de tela (screenshots) com temporizador e salvar as imagens em outros formatos, como TIFF ou JPG.
[Command] + [Shift] + [3]: tira foto de toda a tela. [Command] + [Shift]+ [4]: tira foto de uma área determinada de sua tela. [Command] + [Shift] + [4] + [barra de espaço]: tira foto de apenas uma janela, mantendo as sombras.

Grapher

Este é um utilitário que facilita para o usuário criar gráficos em 2D ou 3D a partir de funções matemáticas, em tempo real. É possível utilizar vários sistemas de coordenadas. Depois de finalizado o gráfico, você pode exportar sua animação no formato QuickTime e compartilhar com seus colegas.

Preferências Java

Com este utilitário você pode personalizar o software Java que existe em seu Mac, como selecionar a versão do Java que deseja usar, configurar as preferências de segurança e várias opções para desenvolvedores. Este utilitário é iniciado sempre que você liga seu Mac.

Acesso às Chaves

É aqui que ficam guardadas todas as senhas de sites, servidores, redes e aplicativos. Depois de configurada uma senha para este utilitário, você pode gerenciar senhas, ver os certificados digitais (presentes em sites seguros, por exemplo) e até guardas Notas com conteúdo sigiloso.

Assistente de Migração

Comprou um Mac novo e quer passar todas as informações do computador antigo para ele? Use o Assistente de Migração quando for instalar o OS X no novo Mac. Ele vai transferir todas as suas músicas, documentos, fotos, configurações de rede e preferências sem dores de cabeça. O processo pode ser feito via USB ou rede. Além disso, caso utilize o Time Machine, poderá usá-lo como referência para a transferência).

Utilitário de Rede

É com esse programa que você pode conferir todas as informações de sua rede. Ele possui uma interface simples e direta, que inclui as funções mais usadas em linhas de comando, além de mostrar as informações em uma caixa de texto, facilitando copiar o conteúdo e enviar via email, por exemplo.

Administrador ODBC

Direcionado a servidores, este utilitário permite se conectar e administrar bancos de dados com aplicativos que seguem o padrão ODBC (Open Database Connectivity).


Assistente do Boot Camp

Este utilitário já foi abordado em várias edições passadas da MAC+. Com ele é possível instalar o Windows em todos os Macs com processadores Intel. Assim que você abre este programa, é iniciado o processo de instalação, igualzinho a um PC. Depois de tudo instalado, você pode escolher, quando ligar seu computador, qual sistema será carregado, o OS X ou Windows.

Podcast Capture

Projetado para trabalhar em conjunto com o Produtor de Podcast presente no Mac OS X Server, o Podcast Capture captura vídeo e áudio em alta definição, a partir de câmeras (inclusive remotas) e gravações somente da tela de seu Mac.


RAID Utility

Com o Raid Utility, é possível configurar e monitorar volumes RAID usando uma placa específica no MacPro ou o cartão XServe RAID. Pode-se criar um RAID array (verificar tradução), 0, 1 ou 5; designar um drive para ser um hot spare; checar o status de cartões RAID; exibir e salvar o registro das operações realizadas, entre outras funções.

Instalação Remota do Mac OS X
Este utilitário permite instalar o OS X em MacBooks Air, que não tem drive óptico, em poucos passos. Esta instalação pode ser feita sem fio ou via rede (usando um adaptador no MacBook Air).


Editor de Scripts
O AppleScript é um poderoso e versátil meio de escrever roteiros (scripts) no Mac OS X. Você pode usar este utilitário para criar atalhos e automatizar tarefas repetitivas. Com esses scripts, é possível economizar tempo, já que automatiza várias funções do dia a dia.

Visão do Sistema
Aqui você tem informações detalhadas sobre seu computador, softwares e redes em uma só janela. Informações técnicas sobre HDs, memórias, monitores, entre outros, estão a alguns cliques de distância e podem tirar várias dúvidas sobre a capacidade e potência de seu Mac.

Muito útil - escrito por Pedro Pavanato em 21 de agosto de 2009 para a revista Mac+

sábado, 21 de novembro de 2009

Pedrada musical para o fim de semana

A gravadora Strut Records iniciou o projeto “Inspiration Information” com a idéia de juntar músicos e produtores com características parecidas para gravar discos em parceria. Daí já saíram quatro volumes.
Estou baixando o quarto volume, que acabou de sair e traz a parceria entre o lendário baterista Tony Allen, um dos criadores do afro-beat ao lado de Fela Kuti e o músico e produtor finlandês Jimi Tenor, experimentalista ao extremo em tudo que faz. Já dá pra imaginar o que vem para os nossos ouvidos...
Mas o meu favorito é o terceiro volume da série e que já se tornou um clássico. Tudo isso pela volta de Mulatu Astatke aos estudios de gravação. Depois de décadas de esquecimento, o criador do ethio jazz foi acompanhado pela banda inglesa The Heliocentrics e colocou material próprio e inédito na rua. A parceria com a banda foi tão bem sucedida que eles estão em turnê desde o lançamento do disco. Mulatu Astatke é genial! Sem mais palavras...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Felicidade Interna Bruta

Hoje (quinta-feira) estive no 6º Encontro Cultivando Água Boa e mais uma vez trabalhando... bom, é o jeito, mas pelo menos estive lá. Fico aqui lembrando, das primeiras edições, quando trabalhava para a agência de publicidade que atendia a IB, e ai sim “trabalhei”... agora só estou cobrindo o evento. Mas vamos lá... o dia foi muito bacana.

Peguei só o finalzinho da oficina de jornalismo ambiental, mas deu pra sentir que rolaram altos papos, afinal de contas quem estava a frente das discussões era o Marcos Sá Correa, editor do O Eco e autor de vários livros, dentre eles o livro do Projeto Memória das Cataratas. Sala cheia de jornalistas mas também estavam lá biólogos, historiadores, acadêmicos... O que achei mais interessante do pouco que acompanhei foi a discussão sobre o conceito de desenvolvimento sustentável. Vou resumir colocando também as minhas opiniões. Se continuarmos a nos desenvolver não teremos sustentabilidade. Parece que chegou a hora de parar. E pra começar, precisamos parar de nos reproduzir. Será que não chegou a hora de mudarmos todos os nossos conceitos (sociedade, família, tempo,...)

Delá fui pra coletiva de imprensa com o primeiro ministro do Butão... mas você conhece o Butão?
O pequeno reinado budista de apenas 650 mil habitantes, aninhado entre as duas maiores potências asiáticas, a China e a Índia, é assunto em Harvard, em Oxford, no FMI. Em janeiro deste ano, economistas e intelectuais do Fórum Econômico Mundial, em Davos, se curvaram diante de um monge butanês para compreender o FIB, ou índice de Felicidade Interna Bruta, criado nos anos 1970 pelo ex-rei Jigme Singye Wangchuk, quando o Butão começou a se abrir ao mundo, depois de séculos de pobreza e isolamento. Mal sabia Wangchuk, o quarto da dinastia no poder desde 1907, que estava formulando um dos mais efi cazes slogans sobre um país. O Butão passou a ser conhecido como o Reino da Felicidade, a última Shangrilá, o Jardim do Éden. (saiba mais sobre o Butão nesta bela reportagem da revista Viagem e Turismo)
A entrevista você confere no programa H2Foz da semana que vem, mas já vou adiantar. A mensagem é bonita e verdadeira, em alguns momentos me arrepiei e senti nos olhos do primeiro ministro muito prazer em me responder, por exemplo, quando comparei seu país com uma grande Ecovila.
É! Acho que já está mais do que na hora de revermos nossos conceitos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Novos iMacs com chip Intel Core i7

No começo desta semana, a Apple começou a despachar as primeiras unidades de iMacs com chips Intel Core i5, seguida dos com Core i7. Consumidores já começaram a receber as máquinas e, é claro, logo teve gente pra matar a nossa curiosidade acerca da performance dos novos all-in-one da Maçã,mas como muita gente tem comentado sobre as capacidades profissionais da máquina, o curioso mesmo seria compará-la com Macs Pro. E foi isso o que o Bare Feats fez hoje.

O iMac não chega a superar o Mac Pro quad-core em nenhum dos testes (que dirá o octo-core), mas os números comprovam que, para um desktop direcionado a consumidores (e com o preço que a Apple está pedindo nele), trata-se de uma máquina realmente muito, muito rápida.

Os computadores testados foram:

* MP 8core: Mac Pro octo-core 2,93GHz, 12GB de RAM, Radeon HD 4870
* MP 4core: Mac Pro quad-core 2,93GHz, 12GB de RAM, Radeon HD 4870
* i7 iMac: iMac Core i7 quad-core 2,8GHz, 8GB de RAM, Radeon HD 4850
* c2d iMac: iMac Core 2 Duo dual-core 3,06GHz, 8GB de RAM, Radeon HD 4850

Os softwares utilizados no benchmark foram: Cinebench 10, Geekbench 2.1.4, Compressor 3.0.5 e After Effects CS4. Em todos os gráficos, as barras vermelhas indicam a melhor performance (o mais rápido).






O mais impressionante é comparar o iMac Core i7 com o Core 2 Duo (dual-core) — aí sim, vemos claramente os avanços que esse chip trouxe para a máquina. Com possibilidades de expansão para até 16GB de RAM, disco rígido de até 2TB e gráficos ATI Radeon HD 4850, o novo iMac de 27 polegadas é mesmo um prato cheio para qualquer fã de all-in-ones.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

desinstalando aplicativos no iPhone


Para desinstalar aplicações e mover ícones no iPhone, vai depender de como vc tenha instalado.
Para desinstalar aplicações ou mover ícones no iPhone, instalados pelo iTunes, basta pressionar qualquer ícone do ecrã principal, mantendo o ícone pressionado cerca de 2 segundos.
Todos os ícones começarão a balançar-se que nem uma escola de samba, sendo que:
1. Para mover ícones basta arrastá-los com o dedo para o novo local pretendido;
2. Para desinstalar aplicações que não façam parte do "pacote" inicial de aplicações do iPhone basta pressionar a cruz ( "x" ) que se encontra no canto superior direito do ícone respectivo.
Se não tem o X é porque instalou pelo Cydia ou Installer. Use eles para desinstalar.
No cydia: Manage > Packages > aplicativo escolhido > Modify > Remove.
No installer: Categories > Installed Packages > Aplicativo selecionado > Unistall

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lupaluna

Essa é para quem vai ao Lupaluna, lé em Curitiba.
Não percam o show do Los Sebosos Postizos, na sexta-feira nos espaço Eco Music.
Los Sebosos Postizos é a banda paralela que nasceu da junção de parte da Nação Zumbi com o Bactéria (tecladista da Mundo Livre SA),que também fez algumas participações em discos do Instituto, na trilha sonora do Amarelo Manga,e nos discos da própria Nação Zumbi.
Pedrada de primeira. Imperdivel.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O mito do megapixel

Nós, que usamos Photoshop em tratamento de imagens, queremos sempre computadores com mais gigabytes e gigahertz para trabalhar com conforto em imagens com cada vez mais megapixels. Mas qual é o limite do conforto? Quanto é suficiente?

O megapixel é um bicho incompreendido pelos dois lados: da informática e da fotografia. O pessoal da informática está acostumado desde a infância a pensar em gigabytes crescentes, gigahertz crescentes, tudo sempre crescente. Efetivamente, a Lei de Moore preconiza um aumento contínuo de todos os números: capacidades, velocidades, banda de conexão, potência etc.

A fotografia digital, por compartilhar com a informática um fundamento – o processamento eletrônico de dados –, impregnou-se desse espírito de competição consigo mesma. Durante a primeira geração de computadores conectados à web, não havia banda de conexão, nem memória, nem processador, nem monitor que suportassem aplicações multimídia online. Hoje, todo mundo acessa o YouTube e baixa filmes inteiros em alta definição para assistir no próprio Mac ou PC.

Naquela mesma época, a capacidade das câmeras digitais também era visivelmente – sem trocadilho – insuficiente. As imagens eram desanimadoramente borradas, sujas, acanhadas. O padrão de excelência estava solidamente estabelecido no mundo do filme.

Mas como a Lei de Moore também serve para sensores digitais de imagem, a resolução deles veio crescendo continuadamente. A indústria da fotografia reorganizou-se nos mesmos termos da indústria de informática, lançando a cada ano que passa uma geração de câmeras contendo mais pixels no sensor.

A lenda do ISO alto
No mundo dos PCs, a velocidade do processador foi dada durante anos como medida de desempenho, mesmo que isso dependa de vários outros fatores. Mas com os processos usuais de fabricação de chips, não é possível continuar a encolher o processador e a aumentar sua frequência de operação para sempre. Os designers tiveram de investir na otimização dos circuitos e nos chips com vários núcleos (dual core e quad core). O gigahertz perdeu sua significação isolada.

Algo análogo aconteceu na fotografia. Os sensores digitais das câmeras contêm cada vez mais pixels, mas isso não se reflete proporcionalmente na qualidade da imagem. Quando você enfia mais pixels em um sensor do mesmo tamanho de um sensor da geração anterior – que é o que a indústria veio fazendo ao longo de toda a década –, o ruído digital (chuvisco e granulação visíveis na imagem) aumenta.

Para resolver esse dilema, as câmeras profissionais migraram para sensores maiores e as amadoras tomaram um rumo diferente, aprimorando a maquiagem eletrônica das imagens. Destaca-se a redução de ruído e uma infinidade de modos de cena para não perder fotos em condições de fotografia que não favoreçam as características da câmera – especialmente quando ela é operada por pessoas sem treinamento fotográfico, que só querem ter o trabalho de apertar o botão de disparo no momento certo. As pessoas leigas não estão erradas em agirem assim. Se existe a possibilidade de incorporar à eletrônica da câmera uma “inteligência programada” que auxilie na tomada de fotos, tanto melhor.

A necessidade comercial de constante progresso da eletrônica criou outro problema. A corrida de marketing tem levado as marcas de câmeras a prometerem o impossível. Além do mito do megapixel, há a lenda do ISO alto. Por uma questão física, uma foto tirada com sensibilidade ISO muito alta não vai ficar boa. Apresenta muito mais ruído, contraste exagerado (alcance dinâmico limitado) e cores indistintas (sombras dessaturadas). O processamento dentro da câmera satura e borra a imagem para disfarçar. O nível de ISO que você pode usar sem transformar as fotos em lama varia muito de um modelo para outro.

Note, também, que o ISO expressa uma variável não-linear. O dobro da sensibilidade corresponde ao dobro do número. Isso significa que a diferença é da mesma ordem entre ISO 100 e 200 e entre ISO 3200 e 6400, por exemplo. Os números dão a sensação de que 6400 é incrivelmente mais rápido que 100, mas expresso em termos fotográficos – seis pontos de abertura – isso parece muito mais trivial.

Mais uma pegadinha: algumas câmeras prometem vídeo Full HD. Você imagina que se trate de vídeo de 720 ou 1080 linhas horizontais. Quando vai analisar de perto, vê que a câmera apenas dá saída em HD. A captura é no antigo padrão de 480 linhas. Opa!

Megapixels no vídeo e no cinema

Como funciona Num sensor tipo Bayer (nome do cientista da Kodak que inventou a tecnologia em 1976), metade dos subpixels é sensível ao verde e o restante é repartido entre vermelho e azul. Para completar a informação visual, a câmera executa a operação de “demosaicização”, que consiste em interpolar (calcular matematicamente) os valores que faltam a partir dos conhecidos.

Padronização Embora as contagens de megapixels variem bastante, os tamanhos dos sensores de imagem correspondem a uma série limitada de medidas. Este é o sensor de uma câmera reflex da Sony na dimensão APS-C, equivalente a cerca de 70% da área de um slide de 35mm. Os sensores com a medida próxima de 100% dessa área são chamados “full frame”.

Como todo mundo que comprou um aparelho de televisão nos últimos três anos já sabe, a definição de uma tela moderna de LCD ou plasma é dada em termos de HD ou Full HD, sendo HD correspondente a 1280 x 720 pixels (0,9 megapixel) e Full HD a 1920 x 1080 pixels (2 megapixels).

Dependendo do local de origem, a programação de TV passa em uma resolução ou na outra e, no caso da atual TV brasileira, raramente é em HD verdadeiro. Os seriados de TV norte-americanos são originalmente exibidos em 720 linhas; os filmes Blu-ray vêm em 1080 linhas.

A largura da imagem em pixels depende da proporção da imagem, mas os aparelhos de TV seguem a proporção 16:9. Por sua vez, o DVD-Video é codificado em 720 x 480 pixels (0,35 megapixel), e a largura é esticada (anamórfica) para obter a proporção pretendida durante a reprodução do filme.

A definição Full HD de 1080 linhas horizontais, embora tenha o dobro da área de pixels da HD de 720 linhas, contém uma pegadinha perceptual. A letra i, como em 1080i, sinaliza que a imagem é entrelaçada: cada quadro (frame) da imagem é formado por apenas metade das linhas horizontais. Os quadros sucessivos alternam linhas pares e ímpares. Isso permite cobrir uma área visual aparentemente maior com menos pixels transmitidos. Como resultado, o nível de detalhe real da imagem varia conforme o movimento mostrado na tela. Em movimento intenso, a cena não passa de aproximadamente 1 megapixel efetivo; com uma imagem completamente parada, a resolução sobe para 2 megapixels. Aparelhos de TV modernos incluem truques digitais para disfarçar a degradação do detalhe nos objetos em movimento em filmes HD, chegando ao extremo de interpolar quadros sucessivos da imagem em tempo real para suavizar o movimento.

No mundo do vídeo profissional, as resoluções estão sujeitas a uma variedade de formatos. Um novo formato em ascensão é o Digital Cinema 4K (4096 x 2160 pixels, pouco menos de 9 megapixels). A câmera de cinema digital Genesis, da Panavision, gera uma imagem um tanto mais larga, de 5760 x 2160 pixels (12,5 megapixels). Mas a RED já está pondo à venda sistemas modulares de vídeo digital que excedem muito essas especificações, visando necessidades futuras. É claro que imagens cada vez maiores exigem um investimento proporcional em sistemas de transmissão, armazenamento e processamento de dados, estimulando a escalada eterna do hardware no mesmo molde da indústria de PCs.

Com os pixels extras de que dispõe na imagem em relação aos formatos de distribuição digitais, o cineasta tem a inédita opção de apenas recalcular a imagem para o tamanho final, ou então fazer reenquadramento e aplicar estabilização de imagem durante a edição, sem perda de qualidade aparente na saída.

Efeitos digitais para filmes convencionais são renderizados em resoluções variáveis entre 1,4 e 6 megapixels. Toy Story, o primeiro filme totalmente criado em CG, de 1995, foi renderizado em 1536 x 922 pixels (1,43 megapixel). Já começa a parecer pequeno.

Megapixels na fotografia
Todo mundo baba por uma TV enorme mostrando uma imagem digital rasgando. Mas você acabou de ver que mesmo a definição Full HD corresponde a “apenas” 2 megapixels por quadro de imagem, e isso somente em condições favoráveis. Por que, então, a fotografia precisa de muito mais pixels?

Em primeiro lugar, porque o meio de reprodução fotográfica de uma imagem estática é bem mais variado e inclui suportes com um nível de definição altíssimo, como a cópia fotográfica, a litografia offset e a moderna impressão inkjet.

O nível de contraste entre os pixels adjacentes em imagens estáticas deve ser muito elevado, revelando mais detalhes do que ocorre no vídeo, pois neste o movimento constitui parte da informação visual, tanto quanto formas e texturas.

No mundo impresso, na prática, a situação é a seguinte: o padrão utilizado pelas gráficas é de 300 ppi (pixels por polegada) para fotos de padrão de revista impressas em offset. Isso se traduz em 8,9 megapixels para preencher uma página ou capa de uma revista típica no formato de 21 x 28cm (guardando 5 mm de sangria de cada lado). Em RGB, no Photoshop, isso implica um arquivo não comprimido de 25,5 megabytes. (Não pegue a calculadora; você pode ver esse valor a qualquer momento na função Image Size do Photoshop.)

Para trabalhos maiores, como cartazes e pôsteres, a resolução diminui, pois o nível de detalhe necessário é vinculado à distância da qual a arte será visualizada. Por esse motivo, um pôster em formato A2 pode ser criado em 150 ppi, e outro em formato A0 pode ser em 75 ppi.

O tamanho mais comum de foto revelada em laboratório, de 10 x 15cm, corresponde a 1772 x 1181 pixels em 300 ppi (que é o valor de resolução de saída dos minilabs digitais). Isso dá 2,1 megapixel, ou exatamente 6 megabytes sem compressão.

Veja que uma foto revelada com essa resolução e tamanho parece supernítida, mesmo implicando em uma grande redução em relação à quantidade de pixels originalmente registrados pela sua câmera!

Se 8,9 megapixels bastam para encher uma página de revista, e uma foto de 10×15cm precisa de apenas 2,1 megapixel, por que continuam surgindo câmeras com mais e mais pixels? Para onde vão todos eles?
A resposta é que os pixels são recombinados na interpolação, que é o cálculo matemático para a dimensão final. Você reinterpola a imagem sempre que usa o comando Image Size do Photoshop para adaptá-la à saída do trabalho.

A interpolação já foi considerada dor de cabeça pelos fotógrafos, mas na atual era de pixels abundantes, não é mais necessariamente ruim. Ajuda a preservar as texturas, manter os contornos nítidos e sumir com os chamados artefatos, aquelas sujeirinhas geradas pela compressão JPEG.

Foto digital nunca é perfeitamente nítida
Quase todos os sensores de câmeras digitais são do tipo Bayer, caracterizado por um arranjo interno que divide a imagem num mosaico de subsensores (chamados photosites), repartidos entre as cores primárias R (vermelha), G (verde) e B (azul). Isso significa que cada pixel do sensor não é propriamente um pixel, mas um “subpixel” que capta apenas um terço da informação de cor. Ao converter a informação do sensor em imagem digital, a câmera assinala, para cada um desses subpixels, os valores das outras duas cores primárias, completando o pixel. Para nisso, ela lê os valores dos subpixels vizinhos e faz um rápido cálculo.

O resultado do método é que, olhando a imagem final de perto, os pixels vizinhos nunca parecem muito contrastados entre si, já que dois terços da informação presente em cada um deles foram reconstruídos a partir das posições vizinhas no mosaico. Além disso, entre o sensor e a objetiva fica o filtro de anti-aliasing, que borra ligeiramente a nitidez da imagem para evitar a formação de moiré (figuras de interferência).
As únicas câmeras atuais que não empregam esse esquema de filtro e subpixels são as Sigma, com seu exclusivo sensor Foveon. Ele capta a informação de cor completa em cada um dos pixels, resultando numa imagem mais nítida e limpa.

Os sensores Bayer utilizados pelas principais marcas são muito similares entre si. Acontece até de os sensores usados por câmeras Canon e Nikon serem fabricados pela Sony, por exemplo. O software interno da câmera é que determina sua personalidade em termos de imagem. Mas a diferença maior sempre recai na óptica. Por regra, as câmeras SLR com lentes e sensores grandes produzem imagens mais nítidas e com menos ruído que as compactas de mesmo número de megapixels. O processamento de imagem compensa parte da diferença, mas não toda ela.

Embora haja um entusiasmo com câmeras de celular com sensores de 5 megapixels, eles sofrem das mesmas limitações técnicas de uma câmera subcompacta. Em poucas palavras, escolha sua próxima câmera pela qualidade da lente, pois ela será mais decisiva na qualidade da foto que o número de pixels do sensor.

A convergência dos megapixels

Com a convergência entre vídeo e foto, os novos sistemas de cinema digital começaram a competir com as SLRs topo de linha. As máquinas da Canon e Nikon agora gravam vídeo, mas partem de uma filosofia oposta à da RED, companhia de cinema digital norte-americana que investe na força bruta. Ela oferece quantidades de pixels maiores que as suportadas pelos atuais sistemas de projeção, de olho nas exigências de qualidade do futuro. De fato, o sensor campeão de tamanho numa câmera digital é o Mysterium Monstro da RED, com a dimensão física de 168 x 56 mm.

A sigla “2K”, “4K” etc. que os videastas usam refere-se à largura aproximada da imagem em pixels. (O padrão 8K é uma proposta de TV digital para o ano 2020.)